3ª Semana do Choro começa no sábado investindo na parte didática, mas sem esquecer a importância das rodas musicais
17/04/2008 Ranulfo Pedreiro
Basta uma espiada em uma roda de choro para perceber o espírito coletivo do gênero primordial da música brasileira: os músicos interagem entre si numa trama complexa, hora entrosando improvisos, hora alterando a dinâmica ou até aplicando humor em pegadinhas – musicais, claro – de ataque e resposta. Choro é coletividade, os músicos tocam para si e para os outros, o que importa é o todo.
E nesse todo cabem as experiências de cada um, as manias acumuladas com o passar dos anos, uma escala recém-ensaiada, o mau-humor de quem brigou com a esposa – tudo se reflete na música, desde que se encaixe no espírito da roda.
Essa interatividade garantiu ao choro a capacidade de se renovar. Nascido no século 19, o gênero chega ao século 21 remoçado, com acordes abertos e intervalos inusitados, atraindo novas gerações – que não renegam os mais velhos. É um cenário de efervescência.
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Uma prova é a 3ª Semana do Choro, evento independente que começa no sábado em Londrina. Idealizado e produzido pela flautista Rosana Moraes, a Semana foi encapada por músicos de de Londrina e cidades como o Rio de Janeiro.
O aspecto didático foi intensificado para refletir uma tendência nacional. O choro está nas escolas, nas oficinas e nas faculdades de música. E, por conseqüência, vem incorporando toda essa carga teórica. A teoria é confrontada com a prática das rodas, que funciona como um filtro do que pode ser aproveitado sem prejuízo da espontaneidade.
“O diferencial deste ano é ter conseguido incluir os cursos. A idéia sempre foi dar formação, seja para o leigo, seja para o músico”, explica Rosana Moraes. Os cursos vão contar com destaques nacionais, como o instrumentista e arranjador carioca Jayme Vignoli.
Além das aulas, os músicos vão se reunir em rodas diárias – onde o aprendizado amadurece e ganha corpo. O encontro é fundamental para o gênero e está arraigado à sua essência.
“No choro, a gente não toca o que está no papel, vem da tradição oral, tem que entender o improviso”, ressalta Rosana. “O choro é um gênero ativo, não é uma coisa fechada. Depende muito da prática, de ouvir, de tocar junto. A cada repetição, incorpora-se a vivência de cada um”, acrescenta.
A 3ª Semana do Choro ganhou apoio da Casa de Cultura da UEL, Gráfica Universal, BR Designer, La Francine’s, Brasiliano Bar & Cozinha, Hotel Blue Tree e Sinamed.
Além da parte pedagógica e artística, o evento também celebra o Dia do Choro (23 de abril, data do aniversário de Pixinguinha) e faz homenagem aos 50 anos de morte de Benedito Lacerda.
Semana do choro
Cursos:
-Violão no choro, com Felipe Barros. Domingo, na Casa de Cultura da UEL.
-Pandeiro no choro, com André Vercelino. Segunda, na Casa de Cultura da UEL.
-Interpretação para solistas, com Rui Klener. Dia 22 na Casa de Cultura da UEL.
-Regional, com Jayme Vignoli. A partir de sábado na Casa de Cultura da UEL.
Palestras:
-Brasileirinho – Exibição do documentário de Mika Kaurismaki com comentários de Rui Klener. Sábado, às 17h, na Casa de Cultura da UEL.
-O choro – Palestra para leigos, com Jayme Vignoli. Domingo, às 16h30, na Casa de Cultura da UEL.
-Estórias da História do Choro em Londrina – Palestra com José Luís Baldy. Dia 21, às 16h30, na Casa de Cultura da UEL.
(As palestras são gratuitas com inscrições no local)
Shows e rodas:
-Sábado: roda às 10h no Calçadão e show com o grupo Café no Sangue às 22h no Brasiliano Bar & Cozinha. (R. Espírito Santo, esquina com Av. Rio de Janeiro).
-Domingo: roda às 18h30 no Brasiliano Bar & Cozinha.
-Dia 21: show do grupo Maracutaia às 19h na Casa de Cultura da UEL.
-Dia 22: show com o grupo Acorde Torto e roda de choro às 20h30 no Brasiliano Bar & Cozinha.
-Dia 23: show de lançamento da Oficina de Choro da Casa de Cultura da UEL e roda de choro, às 20h30, no Brasiliano Bar & Cozinha.
Informações: chorolondrina.blogspot.com.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
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